Saude e Beleza
Seu filho sempre foi o mais alto da turma? Especialista alerta que crescimento acelerado pode esconder risco para a altura final
O endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato explica por que meninos que crescem muito cedo podem parar de crescer antes do esperado e destaca a importância do acompanhamento médico durante a puberdade
Durante a infância, ser o mais alto da turma costuma ser motivo de tranquilidade para muitas famílias. No entanto, segundo o endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato, esse crescimento acelerado nem sempre significa que a criança será um adulto alto.
O especialista, membro da Growth Hormone Research Society (GRS), tem observado um aumento no número de pais de adolescentes que chegam ao consultório preocupados porque, após anos liderando a fila da escola, os filhos foram ultrapassados pelos colegas. “Recentemente, tenho recebido no consultório um volume crescente de meninos por volta dos 14 anos trazendo uma queixa em comum: ‘todos os meus amigos estão me passando e parece que eu parei de crescer'”, relata.
De acordo com o médico, quando essa percepção acontece por volta dos 14 ou 15 anos, muitas vezes a oportunidade de intervenção já foi perdida. Isso porque um dos principais fatores envolvidos pode ser a puberdade precoce ou antecipada, condição que costuma passar despercebida nos meninos.
“As famílias estão muito preocupadas com as crianças baixas, achando que sempre que os mais altos são os mais saudáveis. E a armadilha está bem aí. A criança mais alta também merece atenção, pois ela pode estar crescendo muito agora porque vai parar de crescer mais cedo”, explica o médico, que ainda compartilha conhecimentos através de seu portal www.doutormiguelliberato.com.br. Enquanto nas meninas os sinais da puberdade são mais evidentes, nos meninos o primeiro sinal é o aumento do volume testicular, alteração que raramente é percebida pelos pais. “A puberdade dos meninos, por ser discreta e não acarretar qualquer questão social mais evidente, passa despercebida e sem debates”, afirma.
Segundo o Dr. Miguel, é muito comum que meninos entre 8 e 12 anos, especialmente aqueles com crescimento acelerado, acabem perdendo o acompanhamento regular com o pediatra. Isso acontece porque, nessa fase, as crianças costumam apresentar menos doenças e intercorrências do que na primeira infância. Além disso, quando o menino é um dos mais altos da turma e aparenta estar se desenvolvendo bem, dificilmente gera preocupação nos pais, o que faz com que as consultas se tornem mais espaçadas ou até deixem de acontecer. Diferentemente das meninas, que frequentemente mantêm o acompanhamento médico devido às dúvidas e expectativas em torno da menstruação e da puberdade, os meninos acabam ficando sem esse monitoramento justamente em um período importante do desenvolvimento. Mas é importante dizer que apresentar um crescimento muito acelerado e ficar significativamente mais alto que os colegas pode indicar o começo da puberdade ou até mesmo que essa fase está evoluindo rápido. “Esse início antecipado causa um ‘estirão’ antes da hora. Ele cresce rápido agora, mas a puberdade também acelera o amadurecimento e o fechamento das cartilagens ósseas. O resultado é que ele vai parar de crescer muito mais cedo do que deveria, prejudicando sua estatura final na vida adulta”, alerta.
Por isso, o endocrinologista reforça a importância de manter as consultas pediátricas regulares, mesmo quando a criança aparenta estar saudável. “Não percam o contato com o pediatra. Toda criança precisa de acompanhamento regular e minucioso, mesmo quando está perfeitamente saudável”, orienta ele, que aconselha que manter as avaliações periódicas entre os 8 e 12 anos é fundamental para identificar o momento em que a puberdade do menino se inicia, pois, assim, é possível perceber precocemente alterações no desenvolvimento puberal, monitorar a velocidade de crescimento e, quando necessário, realizar intervenções capazes de preservar o potencial de altura da criança.
“Não espere o seu filho ficar para trás para buscar ajuda. O sucesso no acompanhamento do crescimento infantil exige avaliação médica individualizada, rigorosa e no momento certo”, conclui.
(Fotos: Divulgação)
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