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Ativo que não aparece no balanço se torna motivo de disputa entre empresas

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Robson Gimenes CEO da Shield Bank avalia como a qualidade dos dados financeiros influencia crédito, investimentos e decisões de mercado em um sistema cada vez mais conectado

O valor de uma empresa nem sempre está concentrado nos ativos que aparecem no balanço patrimonial. Em um sistema financeiro que reúne pagamentos instantâneos, compartilhamento autorizado de informações e análises feitas em poucos segundos, um novo fator passou a pesar nas decisões de bancos, investidores e instituições financeiras: a qualidade dos dados produzidos por cada negócio.

A consolidação do Open Finance no Brasil acelerou esse movimento ao permitir que empresas autorizem o compartilhamento de seu histórico financeiro entre diferentes instituições. Com isso, informações sobre fluxo de caixa, comportamento de pagamentos, movimentações e relacionamento financeiro passaram a compor análises muito mais detalhadas do que aquelas baseadas apenas em documentos apresentados em um pedido de crédito.

Para Robson Gimenes, CEO e fundador da Shield Bank, essa mudança alterou a forma como o mercado interpreta o risco de uma empresa.

“Existe uma percepção de que patrimônio é o principal indicador da saúde financeira de um negócio. Ele continua sendo importante, mas as informações produzidas pela empresa passaram a ter um peso enorme nas decisões. Dados organizados reduzem incertezas e permitem avaliações muito mais precisas.”

Esse novo ambiente também ampliou o uso de inteligência artificial e modelos analíticos capazes de interpretar milhares de informações em poucos instantes. Em vez de considerar apenas patrimônio, faturamento ou garantias, as análises passaram a observar padrões de comportamento financeiro, previsibilidade de receitas e consistência das operações.

Na avaliação de Robson, esse processo muda a relação entre empresas e instituições financeiras.

“Quando uma empresa mantém informações consistentes, demonstra previsibilidade e registra corretamente suas operações, ela oferece elementos que ajudam a reduzir o risco percebido. Isso melhora a qualidade das decisões para todos os envolvidos.”

A discussão vai além do acesso ao crédito. Dados financeiros organizados também passaram a influenciar negociações com fornecedores, processos de investimento, auditorias e operações de fusão e aquisição. Em muitos casos, a confiabilidade das informações apresentadas se tornou um fator relevante para a avaliação de um negócio.

Robson Gimenes observa que muitas empresas ainda tratam seus registros financeiros apenas como uma obrigação administrativa.

“Os dados precisam fazer parte da estratégia. Eles ajudam a identificar gargalos, antecipar necessidades, melhorar o planejamento e oferecer uma visão mais clara sobre o desempenho da empresa. Não se trata apenas de cumprir exigências legais, mas de gerar inteligência para a tomada de decisões.”

A integração entre tecnologia e sistema financeiro também ampliou a responsabilidade sobre a qualidade das informações registradas. Dados inconsistentes, controles frágeis ou registros incompletos podem comprometer análises, dificultar negociações e limitar oportunidades de crescimento.

Para o executivo, o debate sobre transformação digital nas empresas costuma dar destaque às ferramentas tecnológicas, mas nem sempre considera o valor das informações produzidas diariamente.

“Ter tecnologia sem dados confiáveis resolve pouco. O diferencial competitivo passa pela capacidade de transformar informação em conhecimento para orientar decisões.”

Em um ambiente financeiro orientado por análises cada vez mais sofisticadas, a organização dos dados deixou de ser apenas uma questão operacional. Ela passou a integrar os elementos considerados pelo mercado na avaliação da capacidade, da previsibilidade e da credibilidade de uma empresa.

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