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Boca Nervosa: o menino de Olímpia que fez do samba um prato cheio de amor
Se o samba tem voz, essa voz tem nome: Boca Nervosa. E por trás do apelido marcante existe um dos artistas mais queridos e trabalhadores de São Paulo.
Edmar Marques Silva, o Boca Nervosa, é paulista de Pradópolis, criado em Olímpia, e soube desde muito cedo que a música seria o seu destino. Filho de um ferroviário da antiga FEPASA e de uma dona de casa guerreira que criou 12 filhos, ele cresceu aprendendo na prática o que é trabalho e humildade.

Boca Nervosa
Antes dos palcos, ele foi engraxate, jardineiro e entregador de marmitas. Conheceu a rua de verdade. E foi com apenas 12 anos que tudo começou: venceu seu primeiro concurso de calouros cantando “Boi da Cara Preta”, do mestre Jair Rodrigues. Era o primeiro passo de uma carreira que já soma mais de 25 discos gravados e mais de 30 anos de estrada no samba.
Dono de um carisma único, Boca criou até um estilo próprio: o Sambrega. A proposta é linda e nostálgica: pegar aqueles clássicos bregas que todo brasileiro já cantou, aquelas músicas que nunca saíram da boca do povo, e reapresentá-las em ritmo de samba. É o melhor do brega com o melhor do samba. Uma mistura que emociona, faz dançar e traz lembranças boas de família e amigos.
O dia em que o trio virou carretinha
Mas o que realmente fez Boca Nervosa conquistar o coração de São Paulo aconteceu fora dos palcos.
Em 2020, ele teve uma atitude que emocionou todo mundo. Pegou o seu próprio trio elétrico e transformou em uma carretinha para ajudar quem mais precisa.
Nasceu assim a Carretinha do Bem, idealizada pelo sambista para distribuir marmitex para moradores em situação de extrema vulnerabilidade. O que começou pequeno hoje é gigante: são cerca de 600 marmitex da famosa “Macarronada do Bem” distribuídos todo domingo.
Mais de 50 mil refeições já foram entregues, além de cestas básicas, cobertores, roupas e até ração para animais abandonados. Tudo feito com muito carinho, presença e mão na massa.

Para ele, a regra é clara: solidariedade não é discurso, é presença.
Por isso você encontra o Boca não só nos shows, mas nas ruas, empurrando sua carretinha, conversando com as pessoas, ouvindo histórias e levando um prato quente e um abraço.
De Pradópolis para o mundo, de engraxate a ícone do samba, a história de Boca Nervosa é a prova de que quem vem de baixo nunca esquece de onde veio.

E o samba agradece.
Acompanhe essa corrente do bem e o novo projeto Sambrega no Instagram: @bocanervosa
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