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Outubro Rosa amplia debate sobre prevenção e saúde emocional das mulheres

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Campanha de conscientização sobre o câncer de mama também pode ser uma oportunidade para discutir autocuidado, sobrecarga e a importância de buscar ajuda psicológica

Curitiba, outubro de 2026. O Outubro Rosa é tradicionalmente marcado por ações de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas, para o psicólogo clínico Luti Christóforo, a campanha também pode ser uma oportunidade para ampliar o olhar sobre a saúde da mulher e discutir aspectos que muitas vezes ficam em segundo plano, como saúde emocional, autocuidado e a dificuldade de priorizar as próprias necessidades. Segundo o psicólogo, a rotina de muitas mulheres é marcada pela sobreposição de responsabilidades. Trabalho, família, filhos, relacionamentos, tarefas domésticas e outras demandas fazem com que o cuidado com os outros frequentemente seja colocado à frente do cuidado pessoal. “Durante muito tempo, muitas mulheres aprenderam que deveriam cuidar de todos antes de cuidar de si mesmas. O problema é que esse ‘depois’ pode se prolongar por meses ou até anos”, afirma Luti.

Para ele, falar sobre autocuidado também significa falar sobre prevenção. Além do acompanhamento médico e da realização dos exames recomendados, é importante que a mulher esteja atenta aos sinais apresentados pelo próprio corpo e não adie a investigação de sintomas ou alterações que mereçam atenção. Esse olhar também deve incluir a saúde emocional. Ansiedade, tristeza persistente, irritabilidade, insônia, exaustão e uma sensação constante de sobrecarga podem ser sinais de que algo não está bem e, segundo o psicólogo, não deveriam ser simplesmente naturalizados como parte da rotina feminina. “A mulher pode ser forte, independente e capaz de enfrentar muitas dificuldades e, ainda assim, precisar de ajuda. Procurar apoio psicológico não significa fraqueza. Significa reconhecer que aquilo que ela sente também merece atenção”, explica.

Luti também chama atenção para a maneira como o conceito de autocuidado é apresentado. Em uma rotina já marcada por inúmeras responsabilidades, transformar o autocuidado em mais uma lista de tarefas pode produzir justamente o efeito contrário, aumentando a sensação de culpa e insuficiência. O cuidado pode começar por atitudes possíveis dentro da realidade de cada mulher, como reconhecer o próprio cansaço, estabelecer limites, dividir responsabilidades, reservar momentos de descanso e procurar ajuda quando necessário. “Cuidar de si não precisa significar fazer grandes mudanças de uma vez. Às vezes, começa simplesmente quando a mulher reconhece que está cansada e entende que não precisa continuar suportando tudo sozinha”, afirma. O psicólogo ressalta ainda que a sobrecarga feminina não deve ser entendida apenas como uma responsabilidade individual. A divisão das tarefas domésticas, o apoio familiar, os relacionamentos e as condições de trabalho também influenciam diretamente a possibilidade de uma mulher cuidar da própria saúde.

Na avaliação de Luti, a busca por atendimento psicológico não precisa acontecer apenas quando o sofrimento já atingiu um nível elevado. A psicoterapia pode ser procurada diante de dificuldades emocionais, conflitos, sensação de sobrecarga ou mesmo quando existe a percepção de que a maneira de viver já não está fazendo sentido. “Não é necessário chegar ao limite para procurar ajuda. Muitas vezes, perceber que algo não está bem já é um motivo suficiente para buscar um espaço de escuta e reflexão”, afirma. Nesse sentido, o Outubro Rosa pode servir como um lembrete para que a mulher olhe para a própria saúde de maneira mais ampla. Além de perguntar quando foi o último exame ou consulta médica, pode ser importante perguntar também como estão o sono, as emoções, os relacionamentos, os limites e a qualidade de vida.

Para Luti Christóforo, cuidar de si não significa deixar de cuidar das pessoas que fazem parte da vida. Significa reconhecer que a própria saúde também precisa ocupar um lugar de importância. “O cuidado começa quando conseguimos olhar para nós mesmos com a mesma atenção que tantas vezes dedicamos aos outros. Prevenção também é escuta, atenção e cuidado. E cuidar de si é uma forma de respeito pela própria vida”, conclui.

Luti Christóforo
Psicólogo Clínico
CRP 08/18577
(41) 99809-8887
lutipsicologo@gmail.com
@luti.psicologo
www.youtube.com/@lutipsicologo

(Crédito: Arquivo Pessoal / Web)

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