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A parte mais importante de uma obra é a que ninguém vê

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Planejamento, compatibilização de projetos e gestão de risco ganham protagonismo em um mercado cada vez menos tolerante a erros de execução;

Planejamento, conceito do projeto, compatibilização entre disciplinas e análise de desempenho dos materiais ganham protagonismo em um mercado cada vez menos tolerante a erros de execução;

Quando um empreendimento é inaugurado, a atenção costuma estar voltada para aquilo que está diante dos olhos: arquitetura, acabamentos, tecnologia, design e a experiência dos usuários.

Mas, para quem atua no desenvolvimento de projetos complexos, o sucesso de uma obra começa muito antes da primeira equipe chegar ao canteiro.

Na prática, a etapa mais importante de um empreendimento é justamente aquela que o cliente não vê, mas que define a qualidade de tudo o que será construído.

É nesse momento que são tomadas decisões relacionadas ao conceito do projeto, à viabilidade técnica, à compatibilização entre disciplinas, ao planejamento executivo, à definição dos sistemas construtivos, à escolha e análise de desempenho dos materiais, à gestão de riscos e à forma como aquele empreendimento irá operar ao longo dos anos.

Essa etapa vem ganhando ainda mais relevância em um momento de transformação da construção civil brasileira. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor deverá movimentar mais de R$ 350 bilhões em 2026, impulsionado por novos investimentos em infraestrutura, hotelaria, retrofit e empreendimentos corporativos. Ao mesmo tempo, o aumento da complexidade das obras, a busca por eficiência e a necessidade de controle de custos tornaram os erros de planejamento significativamente mais caros.

Para Celso Zaffarani, fundador da Zaffarani Design Build, empresa especializada em projetos e obras corporativas, comerciais, hoteleiras e especiais, ainda existe uma percepção equivocada de que a qualidade da execução, sozinha, determina o sucesso de um empreendimento.

“A execução é consequência de um bom projeto. Os principais problemas de uma obra normalmente não surgem durante a construção. Eles aparecem muito antes, quando existem falhas no conceito do projeto, incompatibilidades entre disciplinas, escolhas inadequadas de materiais ou decisões tomadas sem considerar como aquele espaço será utilizado e operado no futuro.”

Segundo o especialista, o mercado passou a exigir uma visão mais integrada do processo construtivo.
“Hoje não basta projetar e construir. É preciso entender como aquele empreendimento vai funcionar daqui a cinco, dez ou vinte anos. A experiência dos usuários, a flexibilidade dos espaços, a eficiência operacional, a facilidade de manutenção e o desempenho dos materiais precisam ser considerados desde o início.”

Na avaliação de Zaffarani, quando planejamento, projeto e execução trabalham de forma integrada, os riscos diminuem, as decisões ganham mais qualidade e o resultado se torna mais consistente ao longo do ciclo de vida do empreendimento.

“O objetivo não é apenas entregar uma obra. É consolidar uma entrega que continue gerando valor ao cliente por muitos anos. Um empreendimento de qualidade é aquele que mantém desempenho, eficiência e capacidade de adaptação mesmo diante das transformações do mercado.”

Para o executivo, esse é o caminho da construção contemporânea: substituir o foco exclusivo na execução por uma visão estratégica, em que planejamento, inteligência de projeto e decisões antecipadas se tornam os principais fatores para garantir previsibilidade, qualidade e longevidade aos empreendimentos.

(Fotos: iStock)

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