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Alê Astolphi

Amo ficar sozinha, tenho medo de ficar com gente”, revela Joana Cabral em desabafo sobre saúde

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Créditos da Foto: Divulgação

Joana Cabral surpreende: “Amo ficar sozinha, tenho medo de ficar com gente” – atriz fala sobre esgotamento e saúde mental

Atriz explica por que trocou a aglomeração pelo silêncio e como a conta invisível do cuidado que atinge 60% das mulheres afastadas por transtornos mentais mudou sua visão sobre solidão

A atriz Joana Cabral surpreendeu ao inverter uma lógica que muitas mulheres têm medo de admitir.

Em um desabafo sincero nas redes sociais, a artista revelou que aprendeu a amar a própria companhia e, hoje, seu medo é outro: o de voltar a se perder no meio de muita gente.

Amo ficar sozinha. Tenho medo de ficar com gente”, disparou Joana, em frase que viralizou entre seguidoras.

Longe de ser antipatia, a confissão de Joana é sobre autopreservação. A atriz conta que durante anos viveu a famosa conta invisível do cuidado – aquela em que a mulher acorda mais cedo para organizar a casa, planeja as refeições, checa prazos do trabalho, cuida dos filhos, apoia os amigos e, no fim do dia, está com o saldo mental no vermelho.

“Eu tinha medo de ficar sozinha porque achava que solidão era fracasso. Hoje eu tenho medo de ficar com gente porque é no meio de muita gente, de muita demanda, de ter que dar conta de tudo, que eu me abandonei. Ficar com gente, para mim, era estar o tempo todo cuidando, servindo, sendo o porto seguro de todo mundo. E eu me esvaziava”, explicou.

O relato de Joana ecoa um dado alarmante: segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou recorde de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, sendo mais de 60% de mulheres. O relatório Esgotadas, da ONG Think Olga, mostra que 45% das brasileiras já têm diagnóstico de ansiedade ou depressão.

Fenômeno que já atingiu famosas como Anitta, Bruna Marquezine, Maiara, Fernanda Souza e Tatá Estaniecki, que já falaram abertamente sobre crises de ansiedade e burnout por conta da jornada 360º de serem perfeitas em tudo.

“Discutir o esgotamento feminino apenas como ‘preciso descansar mais’ é ignorar o básico. Mulheres não adoecem por fragilidade; adoecem porque operam em um ecossistema moldado para gastar todos os recursos na vida alheia, deixando o extrato pessoal zerado”, analisa Danieli Wegermann, especialista em liderança e comportamento feminino.

Para sair do cheque especial emocional, Joana conta que fez três investimentos que a especialista também recomenda:

  1. O Depósito do Escrever para Curar: “O papel aguenta o que a voz ainda não aguenta. Escrevo 15 minutos por dia e organizo meu caos”, diz Joana.
  2. O Fundo de Estabilização STOP: Parar 30 segundos, respirar, observar e só depois agir.
  3. Valorizar o que já tem: “Em vez de focar no que falta, faço um balanço dos meus pilares. Minha rede de apoio, meu tempo livre real”.

Hoje, em fase de reencontro, Joana ressignificou tudo.

“Proteger minha saúde mental foi entender que estar sozinha não é solidão, é companhia de mim mesma. E estar com muita gente, o tempo todo, sem limite, é que me deixava realmente sozinha de mim. Hoje eu escolho com quem eu fico. E principalmente, escolho ficar comigo”, finalizou a atriz, que se prepara para novos projetos no teatro e streaming.

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