Vanessa Haddad
Como minimizar os efeitos do álcool na pele
A médica Dra. Isabel Martinez explica a relação de bebidas alcoólicas com a saúde da pele
No fim de ano e nas férias é comum exagerar no álcool. E a pele de muitos pode estar agora sentindo a consequência desses momentos de descontração. Segundo a médica Dra. Isabel Martinez, o álcool afeta a pele em vários níveis — vascular, inflamatório, metabólico e celular.
“Do ponto de vista fisiológico, ele promove vasodilatação, o que explica aquele rubor facial comum após beber. Em pessoas predispostas, isso pode piorar a rosácea, flushing persistente e sensibilidade cutânea”.
De acordo com ela, além disso, o álcool:
-Desidrata a pele, porque inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a perda de água
-Aumenta o estresse oxidativo, gerando mais radicais livres, que aceleram o envelhecimento cutâneo
-Ativa processos inflamatórios, elevando citocinas inflamatórias como TNF-α e IL-6
-Prejudica a função de barreira da pele, reduzindo lipídios essenciais do estrato córneo
-Pode interferir na produção de colágeno, favorecendo flacidez e perda de viço com o tempo
“Há estudos associando consumo crônico de álcool a envelhecimento precoce, aumento de rugas, poros dilatados e pior cicatrização. Não é algo imediato, mas cumulativo — a pele “conta a história” dos hábitos ao longo dos anos”, completa.
Segundo Dra. Isabel Martinez, em termos de mecanismo, o álcool pode piorar a qualidade cutânea porque aumenta a perda de água (ele tem efeito diurético), favorece estresse oxidativo, amplifica processos inflamatórios sistêmicos e pode comprometer a função de barreira da pele.
“Além disso, é comum o álcool fragmentar o sono, e a pele depende muito do reparo noturno para manter hidratação, luminosidade e recuperação de colágeno. O resultado prático, em muitas pessoas, é pele mais opaca, mais reativa, com poros mais evidentes, maior tendência a vermelhidão, edema facial e, com o tempo, sinais mais precoces de envelhecimento”, destaca,,
Mas e quem bebe moderadamente? A médica diz que não há um estudo clínico robusto, randomizado, desenhado especificamente para definir uma “dose segura” de álcool que garanta que a pele não será prejudicada.
“A pele é um órgão extremamente sensível a mudanças metabólicas e inflamatórias, e o álcool interfere nesses sistemas de forma direta. Mesmo em quantidades consideradas baixas, ele pode impactar a pele porque altera hidratação, microcirculação, sono e equilíbrio inflamatório. Por isso, do ponto de vista científico e também de saúde pública, não é adequado afirmar que existe um limite “sem efeito”, esclarece.
A médica explica que o literatura permite dizer com mais segurança é que o dano costuma ser proporcional ao padrão de consumo — quantidade, frequência e cronicidade — e que a resposta varia muito entre pessoas.
“Não é só “quanto” se bebe: importa “com que frequência”, se a pessoa tem predisposição a rubor e rosácea, como está o sono, como está a alimentação, se há tabagismo, e, no caso das mulheres, o estado hormonal faz diferença. No climatério e na menopausa, por exemplo, a pele já tende a ter mais ressecamento, perda de colágeno e maior reatividade vascular; nesse cenário, o álcool costuma “aparecer” mais rápido na face, com piora de vermelhidão, inchaço e perda de viço, falso muito isso no Climex”, destaca.
Como tratar a pele afetada pelo álcool
Segundo Martinez, quando a pele já foi afetada, a abordagem mais efetiva é atuar exatamente nos pontos que o álcool desorganiza. “Hidratação é essencial, mas não só “beber água”: é também reconstruir a barreira cutânea com ativos como ceramidas, glicerina e ingredientes que reduzam a perda de água. Antioxidantes tópicos bem indicados (como vitamina C e niacinamida) ajudam a combater parte do estresse oxidativo e a melhorar o viço. Em peles sensíveis ou com vermelhidão, o foco deve ser acalmar a inflamação e reduzir a reatividade vascular, evitando procedimentos agressivos logo após períodos de maior consumo”, enfatiza.
No estilo de vida, além de hidratação, Dra. Isabel orienta pausa e redução do consumo, priorizar sono e fazer escolhas alimentares que aumentem antioxidantes naturais e proteínas adequadas, porque isso influencia diretamente a capacidade de reparo da pele.
“E, quando necessário, tratamentos em consultório podem acelerar a recuperação: protocolos que melhorem barreira, hidratação profunda e estímulo de colágeno podem ser úteis, especialmente em pessoas que notam impacto recorrente. Em mulheres no climatério e menopausa, vale sempre contextualizar: às vezes o álcool não é o único fator, e a soma com a queda hormonal e alterações do sono amplifica o quadro, então o melhor resultado vem quando a estratégia é global, não apenas cosmética”, acrescenta.
Ela lista como tratar ou aliviar a pele afetada pelo álcool?
O primeiro passo é entender que não existe “tratamento milagroso” se o hábito continuar intenso. Mas há estratégias eficazes para minimizar os danos:
No cuidado diário da pele:
* Reforçar hidratação com ativos como ácido hialurônico, ceramidas e glicerina
* Usar antioxidantes tópicos, como vitamina C, niacinamida e resveratrol
* Apostar em produtos que restaurem a barreira cutânea, especialmente à noite
No estilo de vida:
* Aumentar ingestão de água nos dias em que consome álcool
* Priorizar sono de qualidade (o álcool piora a regeneração noturna da pele)
* Associar alimentação rica em antioxidantes naturais
Em consultório:
* Tratamentos injetáveis e bioestimuladores podem ajudar a recuperar viço e qualidade da pele
* Tecnologias que estimulam colágeno e melhoram microcirculação são boas aliadas
* Em mulheres no climatério, avaliar o contexto hormonal faz muita diferença nos resultados
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