Saude e Beleza
Dia Nacional da Vacinação: doenças antes controladas voltam com a queda da cobertura
Redução da adesão aos imunizantes favorece a circulação de agentes infecciosos e aumenta o risco de surtos, alerta a infectologista Dra. Heloina Claret de Castro, coordenadora do Centro de Vacinas Unimed Goiânia
O retorno de casos de doenças preveníveis por vacinas acende um alerta para a importância de manter a imunização em dia. O sarampo, uma das infecções mais contagiosas, voltou a registrar surtos em países que haviam interrompido a transmissão endêmica, como os Estados Unidos. Para a infectologista e coordenadora do Centro de Vacinas Unimed Goiânia, Dra. Heloina Claret de Castro, a redução da cobertura vacinal favorece a circulação do vírus e pode abrir caminho para novos surtos.
Neste mês, o estado de Nova York declarou emergência após o registro de 108 casos de sarampo em 2026, dos quais 92 ocorreram desde meados de julho. No Brasil, dados do Ministério da Saúde contabilizavam 52 ocorrências confirmadas até 5 de outubro, todas importadas, distribuídas entre São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro. O país recuperou, em novembro de 2024, o certificado de eliminação da circulação endêmica do sarampo, mas a chegada do vírus mostra a necessidade de manter a vigilância e as coberturas vacinais elevadas.
“Para o sarampo, é preciso ter 95% da população vacinada para não haver circulação do vírus. A partir do momento em que a cobertura começa a baixar, a doença começa a surgir de novo. Por ser uma das doenças infecciosas mais contagiosas, a tendência é começar a haver surtos”, explica.
Doenças que podem voltar
Além do sarampo, a especialista cita coqueluche, meningite, varicela e difteria, que podem voltar a crescer se a imunização de crianças de até 5 anos ficar abaixo da meta. Na hepatite A, o efeito aparece em outra faixa etária. “A baixa cobertura infantil está deslocando a vulnerabilidade. Antes, a transmissão se dava principalmente por água contaminada, e as crianças eram as mais atingidas. Com a melhora dos níveis sanitários, temos surtos entre adultos que não foram vacinados na infância”, detalha.
Para a infectologista, a hesitação vacinal cresce com a desinformação e com a ideia equivocada de que as doenças deixaram de existir. “Como no Brasil tínhamos altas taxas de vacinação, e ainda temos, há uma falsa percepção de que essas doenças não existem mais”, observa. Os efeitos também chegam em tempos diferentes. “Nas doenças respiratórias, os surtos acontecem muito rapidamente. Já uma criança não vacinada e contaminada pela hepatite B pode desenvolver uma doença grave 30 ou 40 anos depois, o que dificulta perceber a relação”, completa.
Dra. Heloina lembra que a imunização beneficia também quem não pode receber a dose, e que o risco da queda da adesão recai principalmente sobre esse grupo, que depende das pessoas ao redor para evitar o contágio. “A vacinação não é um ato individual, é um ato coletivo. Crianças imunocomprometidas não podem tomar vacinas de vírus vivo, como a do sarampo, e o que as protege é o casulo formado por pessoas vacinadas. O mesmo vale para os transplantados, para adultos com imunodepressão e para os idosos. Esse é, a meu ver, o pior efeito da queda da cobertura”, afirma.
Centro de Vacinas Unimed Goiânia
Em funcionamento há mais de 20 anos, o Centro de Vacinas Unimed Goiânia segue protocolos de boas práticas de vacinação e utiliza imunizantes com qualidade e segurança comprovadas. O serviço oferece vacinas dos calendários infantil, adolescente, adulto e idoso.
(Crédito: Divulgação)
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