Saude e Beleza
Intestino não tem idade: aumento de casos entre adultos mais jovens acende alerta para sintomas
Embora a maior parte dos diagnósticos de câncer colorretal ainda ocorra após os 50 anos, OMS aponta crescimento da carga da doença entre adultos de 30 a 50 anos em alguns países
Durante décadas, o câncer colorretal esteve fortemente associado ao envelhecimento. A idade continua sendo um dos principais fatores de risco para a doença, mas o cenário vem passando por mudanças que merecem atenção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que, embora a maioria dos casos ainda ocorra em pessoas com 50 anos ou mais, alguns países têm registrado aumento da incidência e da carga da doença entre adultos mais jovens, especialmente na faixa dos 30 aos 50 anos.
O câncer colorretal está entre os tumores de maior impacto no mundo. Dados divulgados pela OMS em 2026 mostram que cerca de 1,9 milhão de novos casos foram registrados globalmente em 2022, além de mais de 900 mil mortes. A doença é o terceiro tipo de câncer mais comum no planeta e a segunda principal causa de morte relacionada ao câncer. Entre os fatores associados ao risco estão alimentação rica em carnes processadas e vermelhas, baixo consumo de frutas e vegetais, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
No Brasil, os números também chamam a atenção. A Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano, sendo 26.270 entre homens e 27.540 entre mulheres.
Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer colorretal ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no país. Em Goiânia, a estimativa para 2026 é de aproximadamente 530 novos casos, sendo 260 em homens e 270 em mulheres.
Entre os adultos mais jovens, um dos desafios é justamente a possibilidade de os sinais serem inicialmente associados a condições menos graves. Sangramento nas fezes pode ser atribuído automaticamente a hemorroidas; mudanças no funcionamento intestinal, à alimentação; e dores ou desconfortos abdominais, ao estresse. Embora esses sintomas possam ter diversas causas benignas, alterações persistentes precisam ser avaliadas.
Diarreia ou constipação prolongadas, sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso sem explicação, cansaço e níveis baixos de ferro estão entre os sinais que podem estar associados à doença.
“Ser jovem não significa estar autorizado a ignorar o próprio corpo. Quando existe sangramento recorrente, mudança persistente do hábito intestinal, perda de peso sem explicação ou qualquer sintoma que foge do padrão habitual, precisamos investigar a causa, independentemente da idade. Na maioria das vezes, esses sintomas podem estar relacionados a outras condições, mas somente uma avaliação adequada permite esclarecer o quadro”, afirma a médica proctologista Dra. Camila Lima.
O alerta, segundo a especialista, não significa que toda pessoa jovem deva realizar colonoscopia de forma indiscriminada. Existe diferença entre o rastreamento de indivíduos assintomáticos e a investigação de pacientes que apresentam sintomas ou fatores de risco. Histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais e determinadas condições hereditárias, por exemplo, podem exigir acompanhamento individualizado e início da investigação em idades diferentes.
“Quando há sintomas, não estamos falando apenas de rastreamento, mas de investigação diagnóstica. A idade não deve ser usada isoladamente para descartar a necessidade de avaliação. O mais importante é observar a duração dos sintomas, suas características, os antecedentes pessoais e familiares e, a partir disso, definir a melhor estratégia para cada paciente”, explica Dra. Camila Lima.
A mensagem ganha importância diante das mudanças observadas no perfil epidemiológico da doença. Ser jovem ainda representa menor risco quando comparado às faixas etárias mais avançadas, mas não significa imunidade. Conhecer o próprio funcionamento intestinal, observar alterações persistentes e procurar atendimento médico quando algo muda pode contribuir para diagnósticos mais oportunos e evitar que sinais importantes permaneçam meses sem investigação.
SERVIÇO
Pauta: Intestino não tem idade: jovens também precisam prestar atenção aos sinais
Fonte: Dra. Camila Lima, médica proctologista
Instagram: @dracamilalimaprocto
(Crédito: Arquivo Pessoal)
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