“Os egos na Globo são enormes”, dispara Mariozinho Rocha, ex-produtor da emissora.

Se você assistia as clássicas novelas da Rede Globo, com certeza seu gosto musical foi moldado por um nome, Mariozinho Rocha. Lendário A&R de gravadoras como Odeon, CBS e Polygram, ele foi o responsável por lançar projetos como o grupo Roupa Nova e a banda Blitz. Em entrevista para Clemente Magalhães, do canal “Corredor 5”, o gigante das trilhas narrou sua jornada até aqui e revelou dificuldades em lidar com diretores da Rede Globo por terem egos inflados.

Ao sair das gravadoras, Mariozinho migrou para a Rede Globo, atuando por 30 anos como produtor musical com foco em repertório para as novelas da emissora. Ele conta que no início não foi fácil. “A maior coisa que eu senti foi: ‘graças a Deus não vou ter que lidar com artista’. Os egos [dos artistas] são à flor da pele. Mas, mal sabia eu que os egos na Globo são muito maiores. E nem eram os atores ou as atrizes, mas os diretores mesmo. Até mais que os artistas. Foi a grande diferença que eu senti”, dispara.

Considerado um dos maiores nomes da indústria musical brasileira, o produtor ainda diz que se surpreendeu com o cenário. “Achei que não ia ter essa encheção de saco do ego do artista, de querer tal música ou não querer”, pontua Mariozinho. Ele diz que apesar do susto, entendeu rápido como lidar por já estar acostumado com este tipo de comportamento. “Só troquei”, enfatiza.

“A Record nunca fez nada de bom”

E nem só de Globo vivem as novelas. A Rede Record também entrou com força no mercado dos folhetins. Segundo Mariozinho, não havia conflitos de artistas entre as duas emissoras. “A única regra era o seguinte: o que entrasse na Record, enquanto a novela estivesse no ar, não ia entrar em uma novela da Globo. Isso para que não houvesse um conflito. Se estava na novela da Record, não poderia estar na novela da Globo”, coloca o produtor musical.

“Agora, acabou a novela da Record, poderia entrar, não existia esse negócio de que uma vez que entrou lá não entra mais aqui. Isso nunca existiu”, coloca. E questionado se havia grandes disputas, o entrevistado afirma que a emissora do bispo não tinha tanta qualidade em suas obras. “Eles nunca fizeram nada muito bom. Então, não havia a menor preocupação, embora a Globo tenha decaído bastante por uma série de razões e também por causa do streaming”, explica.

Implicavam com a Fafá de Belém

Outra curiosidade muito interessante contada por Mariozinho foi sobre os bastidores das produções. “Tinham diretores que implicavam com artistas. Não vou citar o nome do diretor, mas por exemplo, havia um que tinha uma implicância com a Fafá que era impressionante. Ela podia mostrar a melhor coisa do mundo que ele dizia: ‘A Fafá não!’ O motivo? Também não sei”, defendeu na entrevista com Clemente Magalhães que já se encontra disponível no YouTube.