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Andrezza Barros

Whey protein faz mesmo diferença? 5 mitos que podem estar confundindo sua alimentação

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Cada vez mais presente na rotina dos brasileiros, suplemento deixou de ser associado apenas à academia e passou a ganhar espaço entre quem busca saúde, envelhecimento saudável e praticidade

Durante muito tempo, falar em whey protein era praticamente falar em academia. O suplemento era associado a quem queria ganhar músculos, melhorar a performance ou tinha uma rotina intensa de treinos. Hoje, porém, essa realidade mudou, e o pote de whey passou a ocupar espaço na cozinha de consumidores que nem sequer frequentam uma academia.

O interesse por proteínas cresce entre os brasileiros e alcança diferentes faixas etárias, com destaque também para o público 50+, que cada vez mais adere ao consumo do nutriente por questões relacionadas à saúde. Globalmente, os lançamentos de produtos com menção a “alto em proteína” vêm crescendo cinco vezes mais rapidamente do que as linhas regulares.

Esse movimento acontece em um momento de forte expansão da demanda por proteínas. Ao mesmo tempo, a oferta de proteínas lácteas, especialmente do whey, enfrenta um cenário de pressão global, enquanto o crescimento dos medicamentos para controle de peso da classe dos GLP-1 acrescenta uma nova variável à cadeia de proteínas.

Para Aline Goettert, diretora executiva e nutricionista da Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (Brasnutri), entidade que reúne mais de 80 marcas do setor, esse cenário representa uma transformação importante na maneira como a suplementação proteica é pensada.

“O futuro da suplementação proteica não necessariamente será ‘whey versus proteína vegetal’, mas a combinação inteligente de diferentes fontes, escolhidas de acordo com objetivo, perfil de aminoácidos, digestibilidade, custo e aplicação”, comenta.

Mas, afinal, o whey é realmente indispensável? A proteína vegetal é inferior? É preciso escolher uma única fonte? E o crescimento do consumo significa apenas uma nova moda?

A especialista explica cinco mitos que ainda cercam o whey protein e que precisam ser revistos.

1-“Whey é a única proteína capaz de promover ganho de massa muscular”

Esse é talvez o principal mito a ser desconstruído.

O whey é uma proteína de alta qualidade e continua tendo papel importante na nutrição esportiva. Entretanto, outras proteínas, quando adequadamente formuladas, podem apresentar resultados semelhantes.

Por isso, embora o whey permaneça como uma importante referência no mercado de proteínas, ele não é a única possibilidade quando o objetivo está relacionado ao ganho de massa muscular.

2- “Proteína vegetal é necessariamente uma proteína inferior”

A qualidade de uma proteína não deve ser determinada apenas pela sua origem, mas pelo seu perfil de aminoácidos, digestibilidade e capacidade de fornecer os aminoácidos essenciais em quantidade adequada.

As novas gerações de proteínas vegetais avançam justamente nesses aspectos. Além do whey, existem fontes como ervilha, arroz e fava. A combinação entre diferentes fontes vegetais também pode complementar seus perfis de aminoácidos.

Assim, a discussão sobre qualidade proteica vai muito além da divisão entre proteínas animais e vegetais.

3- “Para consumir proteína de qualidade é preciso escolher entre whey ou vegetal”

A indústria já começa a mostrar que essa é uma falsa dicotomia.

A combinação de proteínas pode ser uma estratégia tecnológica e nutricional interessante. Whey, soja e caseína, por exemplo, apresentam diferentes velocidades de digestão: o whey tem absorção mais rápida, a soja ocupa uma posição intermediária e a caseína apresenta digestão mais lenta.

A combinação pode, portanto, proporcionar uma entrega de aminoácidos por um período mais prolongado.

A própria inovação no segmento de proteínas reforça que o futuro não está necessariamente em “substituir o whey”, mas em desenvolver blends proteicos otimizados e de múltiplas origens.

Nesse movimento de diversificação, proteínas de colágeno também podem ocupar um espaço complementar, especialmente em produtos voltados a necessidades específicas e públicos que buscam benefícios associados à proteína além da performance esportiva.

4-“O crescimento do mercado de whey significa apenas uma tendência passageira”

Os dados apresentados apontam para algo maior do que uma moda.

O interesse por proteína está presente em diferentes faixas etárias e perfis de consumidores. Além disso, o crescimento dos medicamentos GLP-1 adiciona uma nova dimensão à discussão.

A proteína está se tornando uma questão relacionada à nutrição, ao envelhecimento saudável, à performance, à conveniência e à composição corporal — e não apenas à musculação.

É uma mudança de comportamento que ajuda a explicar por que produtos ricos em proteína passaram a aparecer com tanta frequência nas prateleiras e na rotina alimentar dos consumidores.

5- “Se o whey está escasso, o mercado simplesmente precisa produzir mais whey”

A questão é mais complexa.

O whey depende da disponibilidade de matéria-prima láctea e está sujeito à volatilidade da cadeia de produção.

Por isso, a resposta da indústria tende a passar pela diversificação das fontes proteicas e pela engenharia de blends, e não simplesmente pela substituição de uma proteína por outra.

Proteínas de soja, ervilha, arroz, fava e outras fontes vegetais entram nesse cenário não apenas como alternativas de custo ou para consumidores vegetarianos e veganos, mas também como ingredientes capazes de contribuir para diferentes estratégias de formulação.

Ao mesmo tempo, a combinação de proteínas permite trabalhar características como velocidade de digestão, perfil de aminoácidos, concentração proteica, custo e sustentabilidade dentro de um mesmo produto.

A próxima fronteira da proteína

O momento atual pode representar uma mudança de paradigma para o mercado.

O whey continua sendo uma importante referência de qualidade, mas a crescente demanda está estimulando a indústria a buscar novas soluções.

Mais do que uma disputa entre whey e proteína vegetal, o movimento aponta para um mercado cada vez mais diversificado, no qual diferentes fontes podem ser combinadas de acordo com o objetivo, o perfil de aminoácidos, a digestibilidade, o custo e a aplicação.

“Mais do que uma crise de oferta de whey, o mercado vive uma transformação na forma como pensamos proteína. A pergunta deixa de ser ‘qual proteína vai substituir o whey?’ e passa a ser ‘qual combinação de proteínas entrega a melhor solução para cada consumidor e cada necessidade?’. É nesse ponto que a próxima geração da suplementação começa a ser construída”, conclui Aline.

 

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** As informações contidas neste texto são de responsabilidade integral dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião deste portal de notícias.

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