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Síndrome Alcoólica Fetal: alerta pede mais informação e conscientização

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Maíra Mussum destaca pesquisas realizadas desde os anos 1980 e cobra maior atenção para uma condição ainda pouco conhecida

A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ainda é um assunto pouco conhecido por grande parte da população. No entanto, os impactos da exposição do bebê ao álcool durante a gestação são estudados há décadas e continuam despertando preocupação entre profissionais e projetos de conscientização.

O feto não tem direito de escolha e não tem a possibilidade de manifestar sua própria vontade. Por isso, a discussão sobre a proteção da vida durante a gestação envolve também a responsabilidade dos adultos e da sociedade em defender quem ainda não pode escolher ou se expressar.

O tema ganhou destaque no dia 9 de setembro, data dedicada à conscientização sobre a Síndrome Alcoólica Fetal. A escolha do dia 9 faz referência aos nove meses de gestação e busca reforçar uma mensagem de prevenção durante todo o período da gravidez.

Segundo Maíra Mussum, diretora e coordenadora do projeto Salvando a Vidas, pesquisas relacionadas à SAF existem desde a década de 1980. Para ela, mesmo com décadas de estudos, ainda existe uma grande lacuna na informação oferecida à sociedade.

A condição pode estar associada a alterações no desenvolvimento e a diferentes dificuldades ao longo da vida. Por isso, Maíra defende que o assunto seja tratado com mais seriedade e alcance famílias, profissionais e a sociedade em geral.

“A Síndrome Alcoólica Fetal existe e, por falta de informação, muitas crianças têm nascido com transtornos mentais e sintomas parecidos com autismo. Precisamos furar essa bolha, precisamos levar informação.”

Mitos ainda cercam o consumo de álcool na gravidez

Um dos pontos levantados por Maíra é a necessidade de combater informações equivocadas sobre o consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação.

“O álcool não sai pela urina. Isso é um mito”, afirma.

A conscientização, segundo ela, precisa começar antes mesmo que uma família tenha contato com o diagnóstico. O objetivo é mostrar que a prevenção está diretamente ligada à informação e ao conhecimento sobre os riscos da exposição pré-natal ao álcool.

O impacto também chega às famílias

Além das possíveis consequências para a criança, Maíra chama atenção para os desafios enfrentados pelas mães e pelos familiares responsáveis pelos cuidados.

Em situações que exigem acompanhamento constante, a rotina familiar pode ser profundamente afetada. Para algumas mães, conciliar os cuidados com o filho e o trabalho se torna um desafio, principalmente quando não existe uma rede de apoio disponível.

A discussão, portanto, também envolve políticas públicas e assistência às famílias.

“É muita criança nascida doente. A pergunta é: será que vai ter LOAS? O INSS vai ter dinheiro para manter a mãe e essa criança? Porque a criança com SAF, a mãe não pode trabalhar, não tem com quem deixar.”

Uma data que ainda precisa ganhar visibilidade

Maíra também lamenta a pouca repercussão em torno da data de conscientização.

“Ontem foi dia 09/09, se comemora o Dia Mundial e Estadual da Síndrome Alcoólica Fetal. Não teve nenhuma mídia, nenhuma informação, nada de uma nota que falasse sobre esse assunto.”

Para a diretora do projeto Salvando a Vidas, ampliar o debate é uma maneira de fazer com que a sociedade compreenda melhor a condição e seus impactos.

“Precisamos furar essa bolha.”

O alerta reforça a importância de transformar o dia 9 de setembro em uma oportunidade para disseminar informação confiável. Afinal, falar sobre a Síndrome Alcoólica Fetal também significa discutir prevenção, diagnóstico, acompanhamento e suporte às famílias.

Com pesquisas que, segundo Maíra, já são realizadas há décadas, o desafio agora é fazer com que esse conhecimento chegue a um público cada vez maior e ajude a prevenir novos casos.

Fonte: iG Saúde 

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