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Alê Astolphi

Lipedema: por que dietas restritivas e treinos excessivos podem não ser a melhor estratégia

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Créditos da Foto: Divulgação

Especialista explica como alimentação e exercício podem ajudar no controle dos sintomas sem transformar o cuidado com o corpo em uma rotina de cobranças

Yasmin Brunet, Paolla Oliveira, Rafa Brites, Juliane Massaoka, Amanda Djehdian, Bárbara Reis e outras mulheres conhecidas do público brasileiro ajudaram a colocar o lipedema no centro das discussões. A condição, que afeta predominantemente mulheres, pode provocar um aumento desproporcional do tecido adiposo, principalmente nos membros inferiores, além de sintomas como dor, sensação de peso, sensibilidade e facilidade para desenvolver hematomas.

Com o aumento da visibilidade da doença, também crescem as dúvidas sobre alimentação e atividade física. Afinal, depois do diagnóstico, é preciso mudar completamente a dieta? Aumentar a carga dos treinos? Cortar determinados alimentos?

Para o nutricionista e profissional de Educação Física MSc Daniel Reis (@nutri.danielreis), a resposta não passa por medidas radicais. Segundo o especialista, antes de pensar em perder centímetros ou mudar o corpo a qualquer custo, é preciso entender os sintomas e a rotina de cada mulher.

“Se eu fosse o nutricionista e preparador físico dessas mulheres, eu não começaria tentando fazer as pernas diminuírem a qualquer custo. Começaria entendendo os sintomas, a rotina, a alimentação, a força muscular e a relação daquela mulher com o próprio corpo”, afirma.

Paolla Oliveira e a discussão sobre o corpo feminino

Paolla Oliveira também passou a integrar o debate sobre lipedema e as mudanças corporais enfrentadas por muitas mulheres. Conhecida por defender uma relação menos punitiva com o próprio corpo, a atriz ajuda a ampliar uma discussão importante: nem toda mudança na aparência está relacionada simplesmente à falta de dieta ou exercício.

Na avaliação do especialista, a cobrança constante para emagrecer pode ser especialmente desgastante para mulheres que convivem com sintomas do lipedema.

“Muitas passaram anos ouvindo que precisavam apenas emagrecer. Algumas fizeram inúmeras dietas, aumentaram o volume de exercícios e continuaram convivendo com dor, sensibilidade e uma distribuição corporal que não compreendiam.”

Se estivesse à frente do acompanhamento nutricional de uma paciente como Paolla, o profissional de Educação Física e nutricionista diz que não começaria por uma dieta radical.

“Eu começaria entendendo como essa mulher come, como dorme, como treina, quais são seus sintomas e quais objetivos realmente importam para sua saúde.”

Yasmin Brunet e a importância de entender o diagnóstico

Yasmin Brunet foi uma das personalidades que ajudaram a ampliar a conversa sobre lipedema no Brasil. A modelo já falou publicamente sobre o diagnóstico e sobre as dificuldades que enfrentou para entender as mudanças em seu corpo.

Para Reis, um dos pontos que merecem atenção é a ideia de que o lipedema estaria necessariamente relacionado ao excesso de peso.

“Uma mulher pode estar dentro de um peso considerado normal e ainda apresentar lipedema. Por isso, olhar apenas para a balança é insuficiente”, explica.

Na visão do nutricionista, dietas muito restritivas não deveriam ser a primeira escolha no planejamento alimentar.

“Não existe uma dieta milagrosa capaz de curar o lipedema. O que existe é uma alimentação individualizada, com qualidade nutricional e estratégias que façam sentido para aquela paciente.”

Rafa Brites e a importância de olhar além do peso

Rafa Brites também falou publicamente sobre o diagnóstico e ajudou a ampliar a discussão sobre mulheres que convivem com sintomas mesmo sem apresentarem excesso importante de peso corporal.

De acordo com o profissional, situações como essa mostram por que a avaliação não deve se resumir ao peso corporal.

“Se a paciente está com dor, sensação de peso, dificuldade para se movimentar ou outros sintomas, o objetivo não pode ser simplesmente emagrecer. Precisamos avaliar a pessoa como um todo.”

No planejamento alimentar, o especialista diz que priorizaria proteínas suficientes, além de frutas, vegetais, fibras e alimentos minimamente processados.

“Eu não começaria cortando tudo. Quanto mais restritiva é a dieta, maior pode ser a dificuldade de manter aquela rotina por muito tempo.”

Juliane Massaoka e outras famosas ajudam a tirar o lipedema do silêncio

Juliane Massaoka também tornou pública sua experiência com o lipedema. A comunicadora contou sobre a condição e passou a falar sobre o diagnóstico e o tratamento, ajudando a ampliar a conversa sobre uma doença que ainda é confundida com outras alterações corporais.

Para o nutricionista, quando pessoas conhecidas compartilham suas experiências, outras mulheres podem se identificar e procurar ajuda. “Quando uma pessoa conhecida fala sobre a doença, muitas mulheres começam a reconhecer sintomas que ignoraram durante anos. Mas é importante lembrar: não podemos diagnosticar ninguém olhando uma fotografia.”

Segundo o profissional de Educação Física, ter pernas volumosas, celulite ou dificuldade para perder gordura localizada não significa, automaticamente, ter lipedema. “O diagnóstico precisa ser clínico e realizado por profissionais capacitados”, reforça.

Reis lista cinco estratégias que poderiam fazer parte do treinamento de mulheres diagnosticadas com lipedema:

1. Musculação como prioridade
De acordo com o profissional de Educação Física, o treinamento de força pode contribuir para melhorar a força, a capacidade funcional e a preservação ou o aumento da massa muscular.

2. Aeróbico adaptado à paciente
Para o especialista, caminhada, bicicleta e exercícios aquáticos podem ser alternativas. A escolha, segundo ele, depende da condição física, dos sintomas e da preferência de cada mulher.

3. Progressão sem exageros
O nutricionista e profissional de Educação Física defende que não é necessário começar com treinos exaustivos. Para ele, a evolução deve acontecer de forma gradual.

4. Monitoramento dos sintomas
Segundo o especialista, dor, sensação de peso, mobilidade e qualidade de vida também devem ser considerados. Para o profissional, o peso corporal não é o único indicador de evolução.

5. Constância acima da intensidade
Na avaliação de Reis, o melhor treino é aquele que a paciente consegue manter. A regularidade ao longo do tempo é mais importante do que treinar intensamente por poucas semanas.

Alimentação não deve ser punição

Segundo o nutricionista, o diagnóstico pode levar algumas mulheres a buscar rapidamente dietas milagrosas, suplementos ou estratégias radicais. Para ele, esse tipo de comportamento pode gerar frustração e dificultar a manutenção de uma rotina saudável. “O problema é quando a paciente acredita que existe um alimento proibido ou um suplemento que vai resolver tudo. O tratamento precisa ser individualizado.”

De acordo com o especialista, uma alimentação equilibrada pode incluir proteínas adequadas, frutas, verduras, legumes, fibras e hidratação, além de reduzir o consumo frequente de alimentos ultraprocessados. “Mas não existe necessidade de criar medo da comida. Uma paciente não precisa viver em uma dieta de punição.”

Exercício não é castigo

Outro ponto destacado pelo profissional de Educação Física é a ideia de compensar a alimentação com horas de exercício. Segundo ele, essa não deveria ser a lógica para quem tem lipedema. “Eu não colocaria nenhuma dessas famosas em uma rotina de treino como punição por comer. Exercício não é castigo”, afirma.

A proposta, explica o especialista, é encontrar uma atividade que possa ser incorporada à rotina e contribua para força, condicionamento e funcionalidade. “Algumas mulheres vão gostar de musculação. Outras, de bicicleta. Algumas terão melhor adaptação à água. A melhor estratégia é aquela que respeita o corpo e também a rotina da paciente.”

O sucesso não está apenas na fita métrica

Para o nutricionista, outro erro é transformar a medida das pernas ou o número da balança no principal indicador de resultado. “Se eu fosse o nutricionista e preparador físico dessas famosas, não definiria sucesso apenas pela medida da coxa ou pelo número na balança.”

Na avaliação do especialista, a evolução também pode aparecer em aspectos do cotidiano, como mais força, melhor condicionamento, maior disposição, menos limitações para se movimentar e melhora da qualidade de vida. “O corpo não precisa ser punido para ser cuidado. Essa é a mensagem que eu gostaria que Paolla Oliveira, Yasmin Brunet, Rafa Brites e todas as mulheres com lipedema recebessem”, afirma.

Para Reis, a maior exposição do lipedema pode ajudar mulheres que convivem com sintomas a procurar informação e avaliação adequada. Mas, segundo ele, não existe uma fórmula única. “Cada paciente tem uma história, sintomas, rotina e necessidades diferentes. O papel da nutrição e do exercício físico é ajudar essa mulher a viver melhor, e não colocá-la em uma guerra contra o próprio corpo”, finaliza.

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